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quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Informação contra preconceituosos

Informação contra preconceitos

Por muito tempo, a única referência de transgênero para grande parte dos brasileiros foi a atriz Roberta Close – que recentemente revelou, na verdade, ser hermafrodita. Mas, nos últimos anos, essa parcela quase invisível da população passou a ser mais reconhecida: personalidades como a cartunista Laerte, a modelo Léa T., o ator Thammy Miranda, e Caitlyn Jenner, que antes era conhecida como o ex-campeão olímpico Bruce Jenner, vieram a público assumindo seu gênero. O assunto também passou a ser discutido na TV de forma mais profunda, em séries como "Orange Is The New Black", "Transparent" (vencedora de dois prêmios Emmy) e "I Am Cait".



Longe da visão estereotipada adotada por muitos humorísticos, essas novas representações têm contribuído não só como espelho para pessoas trans, como também para ajudar a tornar esse grupo mais visível para a população cisgênera (cuja identidade de gênero corresponde ao sexo designado biologicamente), na opinião de famosos e anônimos ouvidos pelo UOL.

Laerte passou anos bloqueando sua homossexualidade antes de aceitá-la e, depois, assumir sua transgeneiridade, em 2011, em um processo que descreve como uma "segunda libertação". E diz que é necessário haver modelos que mostrem de forma positiva tanto a orientação sexual quanto a identidade de gênero. "Quando eu era jovem, começando minha vida sexual, só existiam modelos negativos, eram retratados como coisas negativas. A homossexualidade era vista como doença, um problema seríssimo, um desgosto pros familiares, uma vergonha. E acho muito importante que esses modelos sejam positivos hoje. De pessoas que estão felizes, que estão bem, que não são doentes, não são criminosas, não são pecadoras".

Foi com a ajuda de várias ativistas da causa, aliás, que a cartunista conduziu seu processo transição – e hoje fica feliz por servir de referência para outras pessoas que passam pelo mesmo. "Me deixa muito satisfeita de ter produzido este efeito, porque é sempre muito libertador – assim como outras pessoas produziram esse efeito em mim. Eu não fiz o meu movimento sozinha. Me beneficiei de exemplos, ajudas e forças variadas: Márcia Rocha, Letícia Lanz, Maitê Schneider, que hoje são minhas companheiras de movimentos. Essa parte inicial de compreender a natureza da transgeneiridade, dar os primeiros passos, fazer as primeiras incursões publicas, vencer esse medo que é um medo interior, da gente mesma de se aceitar, isso quem me ajudou foram essas pessoas".

A falta de pessoas que falassem abertamente sobre identidade de gênero foi um problema para Thammy Miranda, que retirou os seios no final de 2014 e, neste ano, pediu para ser tratado no masculino. "Acontece de, quando você está no processo da descoberta, não saber o que esta acontecendo com você", conta. "Você sabe o que você não quer em você, mas você não sabe o que isso significa, pelo menos eu não sabia. A única coisa que eu achava, depois que comecei a pesquisar, era sobre os gringos, muitas trans gringas que fazem vídeos caseiros mesmo. E aí que fui entendo o que era, porque aqui no Brasil não era divulgado. Acho que a divulgação ajuda por conta disso".

Doutoranda da Unicamp, prostituta e ativista, Amara Moira se assumiu como trans há um ano e meio, quando tinha 29 anos, e passou a entender melhor o momento que vivia tendo Laerte e outras ativistas como referência. "Geralmente a gente pensa que a pessoa desde criancinha está tentando, sempre deu mostras. Eu nunca dei mostras. E aí você vê o caso de uma pessoa que viveu o que eu vivi. Foi importantíssimo ver os quadrinhos dela, ver como ela ia trabalhando siso de forma artística. E depois ver essas pessoas que iam surgindo nas redes sociais, a Travesti reflexiva, a Daniela Andrade. São figuras que eu fui olhando e pensando 'nossa, isso é muito próximo do que estou vivendo, do que estou querendo viver'".

Esta é a minha amiga Amara Moira, de Campinas-SP. Um super beijo para você!

Informação e preconceitos

Além de oferecer mais modelos com os quais pessoas transgêneras possam se identificar, a visibilidade entre famosos e em produções da TV e do cinema também ajuda a levar ao grande público mais informações sobre esse grupo – algo importante no país que mais mata transgêneros no mundo. De acordo com levantamento feito pela ONG Transgender Europe, 689 foram assassinados no Brasil entre 2008 e 2014.

"Muito da violência que a gente sofre tem a ver com o fato de as pessoas não estarem acostumadas a conviverem com a gente, a verem a gente", afirma Amara Moira. Por isso, uma maior presença de personalidades trans acaba trazendo mais consciência – dos dois lados: "Às vezes, a gente acha que o fato de a Laerte existir estimula a transexualidade, mas na verdade estimula a sair do armário, não estimula a virar nada. Com isso, a sociedade inteira vai olhando. Minha mãe olha para a Laerte e fala 'Minha filha vive algo parecido com isso, minha filha não é única, essas pessoas podem e devem ser respeitadas'. Muda bastante. Não só para nós, como para as pessoas ao nosso redor".

A atriz e modelo Carol Marra, no ar na série "Romance Policial – Espinoza", concorda, e diz que ainda há muita ignorância a respeito da população trans: "Tudo que é desconhecido, gera certa 'estranheza'. O preconceito surge da falta de informação. Acho importante nós, como pessoas públicas, levarmos o tema, por exemplo, para um debate de um jantar em família, roda de bar... A sociedade como um todo não sabe diferenciar uma transexual de uma travesti, drag queen ou mesmo de um gay. E, infelizmente, a primeira imagem associada é a de uma profissional do sexo. Muitas transexuais não se compreendem ou se tornam compreendidas".

Nem sempre, porém, a maior informação se traduz em aceitação – e nem sempre as representações de pessoas trans são positivas. "Trazer essa vivência à luz do dia traz mais esclarecimento da população do que tolerância, porque a tolerância parte mais do indivíduo", avalia a atriz e ativista Wallace Ruy. "E se trazer para a mídia temas trans não quer dizer que vem de uma maneira positiva. Em novelas, principalmente, a gente não vê pessoas trans representando pessoas trans. Você vê que há uma representação muito caricata".

E ainda há lugares que são quase que inacessíveis às pessoas trans na mídia, como é o caso de programas jornalísticos. "Por que não apresentando programa infantil? Porque sempre se associa ao transgressor, aí não pode. Não pode apresentar o jornal porque é algo sério, e a notícia que sai da minha boca tem um peso menor. E aí que mora o problema, porque isso está condicionando à minha identidade, à minha representatividade de gênero. É um grande absurdo ver isso hoje. Mas foi assim com a população gay, foi com a população negra".

Fonte: tvefamosos.uol.com.br.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Crianças transgêneros...a dura realidade delas abordada na reportagem do Fantástico

Para completar 5.500 acessos e 50 posts, trago a reportagem do dia 20/09/215 que foi divulgada no Fantástico, sobre crianças transgêneros...



Para quem não assistiu, segue o vídeo.

Sinceramente, eu, não pude passar por este mesmo procedimento em minha adolescência, mas, hoje, sei que eu posso ainda ter a esperança de chegar lá...

sábado, 10 de outubro de 2015

  • Texto e reportagem extraído de:
em 10/10/15 às 16h38.

  • O crossdresser não quer ser o sexo oposto, mas vivenciar as mesmas sensações
    O crossdresser não quer ser o sexo oposto, mas vivenciar as mesmas sensações
Casado há 19 anos e pai de um adolescente de 13, o administrador de empresas Rodolfo*, 45, precisa usar terno e gravata todos os dias por causa do trabalho. Aos sábados, enquanto a mulher está no trabalho e o filho com os amigos, ele aproveita a tranquilidade da casa para colocar vestido, meias finas, escarpins e se maquiar com capricho. Terminada a produção, dedica-se a admirar sua versão feminina no amplo espelho do quarto de casal. "Tenho prazer em me ver bonita", afirma.

O que você faria se flagrasse seu marido vestido de mulher?

6.016 votos
O engenheiro Márcio*, 36, volta e meia esconde sob suas calças jeans uma calcinha delicada de renda ou de seda. "Sempre fico com receio de que alguém perceba algo, mas a sensação que as peças femininas me provocam acaba falando mais alto", diz.

Tanto Rodolfo quanto Márcio não são gays: ambos fazem questão de afirmar que nunca tiveram experiências homoafetivas, mas que não teriam nenhum problema em se revelar homossexuais. No entanto, preferem manter o fetiche de se vestirem com peças femininas em segredo, por temerem o preconceito.

Os especialistas afirmam que é complicado --e leviano-- dar nomenclaturas a práticas e preferências relacionadas à sexualidade. Até porque nenhuma pessoa é igual à outra, e, entre aquelas que se identificam com as mesmas coisas, cada uma tem suas peculiaridades. É nesse cenário que se destacam os crossdressers como Rodolfo e Márcio.

Travestismo --palavra mais adequada à prática-- é uma atividade inteiramente distinta e independente da orientação sexual de uma pessoa. De acordo com o terapeuta sexual Oswaldo Martins Rodrigues Jr., diretor do Inpasex (Instituto Paulista de Sexualidade) e autor do livro "Parafilias – Das Perversões às Variações Sexuais" (Zagodoni Editora), o termo foi cunhado pelo médico alemão Magnus Hirschfekd (1868-1935), em 1910, para designar quem tem prazer em se vestir com roupas do sexo oposto.

Experimentar

Embora à primeira vista pareça o contrário, crossdressers não desejam ser o sexo oposto. "Eles almejam experimentar as sensações que o outro sexo experimenta. Vivenciar o que sentem", declara o psiquiatra e terapeuta Carlos Eduardo Carrion, de Porto Alegre.

"É difícil tecer uma definição fechada sobre a prática. Há crossdressers que se vestem pelo prazer de estarem montados. Outros podem ter propósitos diferentes, como encontrar parcerias sexuais. Alguns preferem ceder a seus desejos apenas entre quatro paredes, enquanto que para outros sair na rua montados é fundamental", afirma Anna Paula Vencato, doutora em antropologia social e pesquisadora associada do Núcleo de Pesquisa em Diferenças, Gênero e Sexualidade da Usfcar (Universidade Federal de São Carlos).

O universo de possibilidades é amplo. "Quando em paz com seu desejo, crossdressers sentem excitação e realização sexual. Porém, muitos ainda têm vergonha e culpa", declara o psicólogo Klecius Borges, autor de "Muito Além do Arco-íris – Amor, Sexo e Relacionamento na Terapia Homoafetiva (Edições GLS).

Parceiras sabem da prática

Entre os crossdressers que têm relacionamento estável não são poucos os que compartilham a prática com as parceiras (existem crossdressers do sexo feminino, mas são mais raras). Há também as que sabem e eventualmente apoiam sem, no entanto, participar da "montação".

Segundo Rodolfo, é nesse perfil que se encaixa sua mulher. Ele pratica o crossdressing há oito anos, mas só em 2012 teve coragem de relatar a predileção à companheira. "Ela ficou chocada e saiu um tempo de casa. Depois de conversarmos muito, aceitou. Não é algo que a deixe confortável, e ela tem medo de que nosso filho e que os amigos descubram, mas não me julga. E não quer participar também, o que me deixa mais à vontade", fala o administrador.

Rodolfo afirma que não costuma se masturbar quando se monta, que o fato de se admirar é o suficiente. Mas existem os que precisam atingir o orgasmo para se sentirem satisfeitos, os que transam com a parceira com roupa íntima feminina, os que pedem para a mulher tratá-los como outra mulher...

Eliane Cherman Kogut, autora da tese "Crossdressing Masculino – Uma Visão Psicanalítica da Sexualidade Crossdresser" (2006), para o doutorado em psicologia clínica pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, fala que várias parceiras toleram e participam, mas apresentam desconforto, temor que o par seja homossexual e insegurança em relação ao seu afeto e desejo.

O engenheiro Márcio conta que tentou inverter os papéis na cama com uma antiga namorada, com ambos usando peças íntimas do sexo oposto, mas que não aconteceu da maneira que esperava. "Ela se sentiu culpada e colocou em xeque meus sentimentos. No fim, a experiência foi tão ruim que acabamos terminando", diz. Segundo ele, a atual parceira sabe que ele gosta de usar lingerie de vez em quando, mas afirma que isso não a abala. "A mente dela é mais aberta."
*Nomes fictícios para preservar a identidade dos entrevistados.